Quadradinhos



Se você nasceu sem pênis, provavelmente cresceu sonhando em adquirir um.

Tá, tá, sei que ninguém precisa de pênis para bem viver. Aliás, sou prova viva disso, deles quase não desfrutei nos meus já quase 30 anos de vida. E minha vida não é tão imprestável, mas a ausência (aqui ou acolá) penal, fez de mim uma pessoa mais limitada, o que já foi argumentado no texto "Pênis = Cérebro".

Crescemos idealizando a aquisição de pênis, não por deles precisarmos e sim pela sociedade ditar que sem um, seremos incompletas, quase inúteis. Mas esse é outro assunto, nos atenhamos à busca pelo pênis perfeito. Volte no tempo, quando você (sua irmã, prima, quem for) tinha 12, 13, 29 anos... e idealizava o "Príncipe Encantado", aquela pessoa que a deixaria de quatro, figurativa e literalmente. Eu tinha uma listinha, com 20 requisitos essenciais:

Cético (inquieto... questione, pesquise, critique)
Inteligentíssimo (médias não prestam, me refiro a alguém de fato intelectualmente inspirador)
Generoso (vomito para pessoas mesquinhas)
Com bom senso de humor (negro, sarcástico, cruel)
Honesto
Vegetariano (ou disposto a reavaliar - e potencialmente mudar - seus hábitos e vícios)
Exigente (consigo e comigo)
Seguro (vomito para pessoas inseguras)
Protetor (sou indefesa, preciso dum :P)
Aventureiro (disposto a viver o novo, diferente)
Bonito (por fora mesmo)
Gostoso (preu ficar sempre sorrindo)
Agressivo (no ótimo sentido)
Alto (1.80+)
Moreno (poucos foram os "branquinhos" que já me "comoveram")
Forte (não me refiro à excessiva massa muscular e sim ao não-raquitismo)
Não depilado (eca)
Não direitista (eco)
Com barba não ou mal feita (amém)
Que comigo namore/viva por bastante tempo

Ano passado conheci o Cassio, meu agora "ex".
Foi rápido, da noite pro dia fiquei bambinha. O cara é foda, uma covardia.

Ainda que tenhamos nos relacionado pela maior parte do tempo à distância, o relacionamento foi sempre muito intenso, addictive e importante. Em pouco tempo estávamos apaixonados e dormindo bem poucas horas por dia, achando ser o sono superestimado, mas coração e hormônios dignos de urgente e total atenção :P

Como se vê na lista acima, meu "Príncipe" preencheu 19 dos 20 requisitos. Minha próxima listinha incluirá outros 2, que após o não preenchimento do último (que comigo namore/viva por bastante tempo), julgo serem importantes:

Romântico (nunca imaginei que chegaria a esse ponto! sempre desmereci o "romantismo", até não tê-lo por completo)
Parceiro (comigo seja sociedade, não competição)

Opostos em tantas áreas, parecidíssimos em umas poucas. O que nos assemelha tristemente gera a competição. Não sei se ele concordaria com meu parecer, mas fato é que nossos debates freqüentemente foram explosivos e carregados de orgulho. Dois cérebros sempre se desafiando, digamos que não foi muito pacífico.

A falta de romantismo não significou um elemento chave no desgastar do relacionamento, mas hoje em dia penso que um pouco de "mel" poderia smooth the way. Eu disse "um pouco", ok? Melação excessiva dá sono.

Imagino que em sua listinha (o que busca numa companheira) restem vários quadradinhos não marcados, em relação a mim. O que não me surpreende, sempre soube de minhas limitações, mas ele as desconhecia.

Quantos quadradinhos foram negligenciados?
Quantos serão adicionados, após haver se relacionado comigo e descoberto novos anseios, novas realidades?

Nesse último um ano e pouco aprendi muita coisa! Especialmente sobre mim, o quanto sou gulosa (eco, você pensou em coisas sexuais - não era essa a conotação), inconseqüente e impetuosa. Não que eu ignorasse a existência de tais características em minha pessoa, mas estas se mostraram ainda mais claras e repudiáveis. Aprendi, também, o quanto sou adorável. Mentira, já sabia disso antes, só queria contrapor o negativismo da auto-crítica.

Ainda que quadradinhos tenham ficado em branco e que a adição de outros tenha sido inspirada no "falhar" do relacionamento, o amor e carinho que se conquista pesa muito, muito mais que o status de "falha". Na balança do amor, o lado positivo sempre pesa muito mais que o negativo, quando o relacionamento se baseou em amizade e respeito. O resto é bônus, se existente, pode viabilizar a maior longevidade do relacionamento, mas não deixa de ser bônus.

Relacionamentos dificilmente são eternos. Podem ir e vir, quem sabe a não (tão crítica) "exclusividade" estenda-os por mais tempo, mas poucos são os que, em nossa vida, durarão até a morte. Triste? Sim, mas não se pode ter tudo. Perdemos um amante, ganhamos um amigo. Perdemos competição, ganhamos parceria. Só não podemos perder amor.

Não há duração "correta" para um relacionamento. Viva-o intensa e honestamente, seja você o seu melhor, escolha sempre o melhor dos melhores... e o que for vivido será bonito, muito válido e inesquecível.

Escreva um e-mail para um/a ex, salientando o que de especial ficou. Conte do carinho, da saudade ou admiração que sente.
Eu farei isso agora mesmo, mandando o link desse texto para ele :)


Concluo, estampando meu carinho e saudade com a última foto que tiramos juntos:


Montreal, Julho de 2009
Viagem na qual o Cassio cobriu (fotos e texto) o "Vegetarianismo em Montreal", com reviews dos melhores restaurantes veganos da cidade. Em breve na Revista dos Vegetarianos :)
Blog Widget by LinkWithin

6 comments:

  1. Puts rachel, eu sinto muito pelo término do seu namoro, mas no post vc escreveu uma coisa bonita: "Perdemos um amante, ganhamos um amigo. Perdemos competição, ganhamos parceria. Só não podemos perder amor." e acho que a vida é assim mesmo. Uma vida sem amor não é porra nenhuma, é uma sobrevida, uma merda. É ótimo que vc ainda sinta carinho por ele, pois guardei rancor de alguns ex's e isso com ctz não foi bom para mim.

    Se todos os textos sobre fim de relacionamentos fossem tão sinceros e sem emices como o seu, acho que as coisa seriam mais plenas.

    ReplyDelete
  2. Só não vou escrever o email q aconcelhou, rsrsrs...
    Mas realmente cada linha que colocou revela que relacionar-se a dois não é tão facil qnt parecia qnd eramos crianças e idealizávamos o Principe tão perfeito, mas tb nos esquecemos de ver se eramos tão perfeitas assim para ele (?!)Outra coisa que concordo é q independente d qnt tp durar, devemos viver com sinceridade e honestidade, jogar com as pessoas é um dom do ser humano q o tp todo brinca de ser deus e acredita ter o "poder" em suas mãos, ser cruel é uma das primeiras coisas em q aprendemos mas não nos da o direito de sermos crueis com os outros, tudo acaba um dia, mas tem situações q acabam e vc olha e pensa: foi vivido com verdade. Outras situações vc olha e pensa: Foi só uma brincadeira de mal gosto.
    Tudo realmente passa, mas vc aprende da pior forma q o sofrimento nos trás até mesmo uma dor física, mas a gente cresce e descobre até onde uma outra pessoa é capaz d ir e até O QUE vc é capaz de fazer qnd ouve-se só o coração.
    Aprendi dastricamente que coração e razão são parceiros e não inimigos, que ignorar um deles é nos colocarmos em risco! E qm paga é a gente mesmo, os momentos bons devem ser lembrados desde q tenham sido verdadeiros, caso contrário vc só fez parte de uma grande mentira!

    Rachel, vc sabe q sou sempre uma fã de tudo oq escreve! Parabéns querida e sempre me atenho ao seu blog!!! BeijinHOoOos

    ReplyDelete
  3. Rachel!!!
    É de grande valor para mim o que escreveu sobre o seu parceiro, pois gosto de ler e entrar em desvaneios sobre essas questões de relacionamento, pois eu nunca tive um, e também porque eu gosto de saber mais sobre o sentimento das pessoas.
    Abraço!

    ReplyDelete
  4. belo texto.chorei até.

    ReplyDelete
  5. Chel tb tem coração! rs.. show o que escreveu, parabéns pela sinceridade, não sou ng pra falar, só acho que listas de virtudes são algo complicado de ser feito, gera exigências demais pra algo que deveria ser mais simples...excelente blog!

    ReplyDelete
  6. Hehehe Roger seu tosco! Claro que tenho coração, sou a pessoa mais doce que já conheci.

    Sim, "listas de virtudes" são complicadas e sim, deveria ser algo mais simples - mas não é! :S

    Brigada pela visita e elogio ao blog.

    ReplyDelete