Devemos Respeitar as Pessoas
Tsunamis, vulcões, novelas, patriotismo, faustão. Não habitamos um planeta tão legal assim.
Me pergunto como é "lá fora"... como são, o que fazem, como dançam os seres de outros planetas.
Provavelmente bem melhor que aqui.
Ontem foi um dia chato. Um tio faleceu, eu estava no interior de São Paulo e ao ser notificada da perda, peguei um ônibus para Belo Horizonte - onde agora me encontro e onde pretendia encontrar minha identidade ou passaporte brasileiro e assim poder voar para Cuiabá, onde se deu o sepultamento.
Foi no trajeto Campinas a Belo Horizonte, esparramada em dois bancos totalmente reclinados, por volta das 2 horas da manhã de hoje, que vivi momentos de reflexão e descobertas que mudaram para sempre minha percepção sobre mim mesma e todas pessoas gordas e feias.
KKKKK notem como sou hilária, acabei de pensar numa coisa: gordas-feias, redundância com os redondantes, mas enfim.
Dei sorte por ninguém ter comprado o assento ao lado do meu, realmente queria dormir. Lá pras 2 da manhã senti um friozinho logo abaixo da cintura, chegando na bunda. Pelo visto a manta que me cobria não o fez devidamente. Há horas esperava que o sono me vencesse, puta azar agora, logo agora que estava quase dormindo, me descobrir descoberta. Wow, hoje estou fantástica com os joguinhos de palavras, mas enfim.
Pensei: "vou mexer o braço e puxar a manta mais pra baixo, assim cobrindo meu cofrinho"
Pensei: "ah, vou não, que se explodam"
Pois é - "que se explodam". Eles, vocês, restante da humanidade.
Fiquei ali imóvel, pensando sobre o que acabara de acontecer. Pouco me fodi pros outros, achei que não deveria me dar ao trabalho de esconder o princípio de minha bunda gorda.
Não foi sempre assim. Me lembro que em muitos momentos da minha vida me portei de maneira bem mais respeitosa. O que mudou? Estaria eu mais fria, menos humana? Antes estivesse... nah, não. Estou mais gorda, é por isso.
Distúrbios alimentares e problemas mentais vêem, há muito tempo, fazendo com que meu peso varie bastante. Em fases quando estava em bem melhor forma, era toda certinha e cuidadosa. "- Ui, ui, ui, xeu me certificá que ninguém tá vendo pele que poderia estar coberta". Hoje em dia, entretanto, gorda e com pedaços de pele mole saindo nas laterais da calça, eu penso "- que se explodam". Não estou dizendo que minhas atitudes sejam corretas, sei que não é nada justo com os outros. Permaneci deitada, com o cofrinho ainda exposto, pensando... me lembrei de todas as vezes que não quis raspar as pernas por semanas e ainda assim usava saia, curta.
Por que fazer isso? Não sei explicar, não sabia que eu era assim, descobri ontem à noite. Só sei que todos gordos fazem isso, creio que por raiva, é como um protesto "- vai se foder, sou feio e você vai ter que lidar com isso!"
Sei que nunca vi cofrinhos de homens bonitos pelas ruas e isso sempre me frustrou bastante. Agora tudo faz sentido. Pessoas bonitas não sentem a necessidade de seu corpo usar como arma, como afronta. Muito pelo contrário, pessoas bonitas tendem a fazer joguinho e escondê-lo, afinal, se é bom, bonito, deverá ser conquistado. Se é feio, pode ser usado para ferir.
Alguma vez você esbarrou, no ônibus ou metrô, com alguma pessoa gostosa e linda que estivesse mostrando a bunda gratuitamente? Claro que não. Para desfrutar duma cena dessa, há de se pagar ou penar bastante. Isso não é correto!
Aumentando o leque da desgraça, pessoas não-gordas mas definitivamente feias (tipo homens magrelos... magreza só é bem-vinda a mulheres) também devem poupar a retina alheia. Ninguém é obrigado a lidar com seu corpo.
Já digitei demais, só queria dizer isso mesmo. Devemos respeitar as pessoas.
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Descordo veementemente quanto aos magrelos... Acho que tenho algum defeito na percepção de imagens masculinas... Os magrelos me atraem...
ReplyDeleteOutra coisa: tenho, arduamente, tentado agredir menos à retina alheia... e que missão! Agora, não consigo imaginar essas peles que vc menciona...
Talvez vc esteja exagerando no Fotoshop...
Fato. Adorei seu jeito de escrever.
ReplyDeleteMorre, Diabo!!
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